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| "Silueta" de Nicolas Calderon retirada do flickr, com alterações. |
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Você nunca ouviu isso?
Que sua sexualidade é uma opção ou uma escolha?
Você deve ter ouvido, se for gay. Desde cedo existem vários questionamentos como: você tem certeza? Não é apenas uma fase? Você não quer apenas chamar atenção?
E daí a pouco estouram as afirmativas: você não encontrou a mulher certa (ou o homem certo, caso você seja sapata), você precisa encontrar Jesus, você só está confuso.
Tem também as clássicas: como você vai ter filhos? Você é muito bonito para ser gay. Não me importo que você seja gay, contanto que se vista, ande e seja igual a todo mundo.
E em sequência, temos a homofobia velada: Não tenho nada contra, mas..., Tente manter o respeito, tudo bem você ser gay, mas, não precisa ficar se comendo na frente dos outros, né? Ou aquele delicioso contra argumento level 01: Não sou preconceituoso, tenho até amigos gays.
Alô, é do século XIX? Então, tenho uns bagulhos para mandar de volta.
Talvez você tenha sido questionado muito cedo ou agora há pouco, a depender da sua destreza, coragem e boa vontade de compartilhar com o mundo seu verdadeiro eu. Primeiro que você não é obrigado. Segundo que ninguém pediu a opinião desses babacas. E terceiro é que você pode se divertir muito com tudo isso.
Caso não seja gay, segure bem esse livro, prepare-se para das boas risadas e entrar na mente de alguns caras que conheci. Por que prometi a mim mesmo, há quatro anos, que minha missão é divertir, seduzir e converter.
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| "Back" de Nicolas Calderon retirado do Flickr com alterações. |
Tudo começou com o divertido esporte de medir o pau um do outro.
Eric se vangloriou por ter o pau maior. Mas não possuía a mesma habilidade que o meu.
— Que habilidade? — ele perguntou.
Você precisa aprender a instigar. Não só os caras que você está a fim, mas todos ao seu redor. As pessoas têm melhor relação quando ainda não sabem tudo sobre as outras - isso as incentiva a saber cada vez mais, desperta um real interesse. Quando sabem tudo, a monotonia domina qualquer tipo de relação.
Tão inocente quanto uma cascavel, esse Eric. Pronto para dar o bote. Aprendi com caras como Eric que se eles querem se passar por inocentes, eu me passo em dobro. A inocência é o álcool em gel da alma. Mesmo quando você não tem nenhuma inocência, você jura ter, por que criamos a ilusão de que ela nos torna alguém melhor.
Mas você e eu sabemos que Eric não era a melhor pessoa, não pelo que havia feito. Tampouco inocente.
Esse discurso barato escondia um desejo reprimido, eu podia jurar. Claro que não tinha certeza de nada, estava apenas idealizando a mente de Eric. O ponto de partida foi: o que tenho a perder? É, o que você tem a perder? Eu particularmente não tenho nada. Tanto que fui lá e comi ele. Sério mesmo. No duro. Não ria, eu comi o machão da escola.
Quando as luzes se apagam, as cortinas se fecham e o espetáculo acaba, todos nós voltamos a ser o que escondemos de toda a civilização: cheios de desejos, instintos e segredos que não estamos dispostos a contar. Mas estamos dispostos a sentir.
Na mente de Eric, dar o primeiro passo lhe daria atestado de gay. Não faz mal, eu era gay mesmo, assumido, todo mundo sabia. E quando coloquei a mão no pau dele, no vestiário da escola, ele esquivou, mas não protestou. Coloquei de novo, ele olhou ao redor para vigiar se havia alguém.
— Sério, qual habilidade? — Eric estava sedento por uma resposta. Mas eu prefiro trabalhar com o mistério, com o que é dito pela metade.
— Por que você não confere? — perguntei alguns segundos depois. A escola já estava vazia mesmo, o treino havia acabado, eram seis e quarenta e cinco da tarde, ninguém ligava mais para aquele banheiro masculino em um corredor mórbido.
Eric se encheu de interrogações. Mostrou que não conseguia [ou não queria] interpretar a minha deixa. "O que eu tenho a perder"? Voltei a pensar. Nada. Absolutamente nada.
Cerrei os punhos na nuca de Eric e o puxei ao meu encontro. O barulho oco do seu peitoral batendo contra o meu e de seus braços tentando se desvencilhar dos meus foi curto, eu dei o primeiro segundo passo logo depois. Voltei a apertar seu pau, massageá-lo dentro do short até sentir que ele queria sair. Isso não demorou muito.
Eric parou de lutar, foi vencido por suas vontades. Os virginianos de plantão vão ficar arrepiados porque estávamos suados, quentes e sem escrúpulos. Longe do perigo de ser descoberto, ele se soltou. E tive de tapar sua boca com força quando ele começou a gemer alto.
É aquela sabedoria popular em ação: ajoelhou? Então vai ter que rezar.
[Continua, é claro]
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| Brandon Zablocki por Brian Jaime. |
Algumas palavras podem mudar tudo. Principalmente se elas são "não encosta em mim, seu gay", em meio a uma multidão no refeitório de uma escola cheia.
Eric Duarte poderia ter sido mais educado. Infelizmente os homens tomam coragem quando têm quórum para suas besteiras. E veja no que deu. Tive de destruir sua vida e mostrar-lhe que dar a bunda não é tão ruim assim. Aliás, ele gostou bastante. Você pode conferir no vídeo que espalhei pelas internets da vida. Ele mesmo espalma a bunda rosada, abre bem as nádegas e esfrega contra o meu pau. Ele se vira para me beijar - isso você não poderá ver - e em seguida me chama de seu macho.
Não existem teclas suficientes para a risada que estou dando, quatro anos depois. Macho? Dele? Prefiro o hospício.
Já aviso de antemão que os nomes NÃO foram trocados, para proteger a identidade dos atores sexuais de meus contos. Assim, quando eles lerem suas proezas aqui, sentirão um pingo de ódio, nostalgia e um quê de hipocrisia em tudo o que fizeram. Eu particularmente, não ligo.
Mas há algo que preciso dizer, antes que me proponha a dedilhar esse blog. À moda Dom Casmurro, que antes de deitar a pena no papel precisa introduzir sua ópera, eu, Vênus, preciso recobrar em toda minha prosa punhética o que me levou a querer converter héteros.
Teve o caso do Eric, é claro. E do Julian também. Já já irei contar o caso deles, por motivos de marketing colocarei uns títulos bem escrotos, desses de contos eróticos de sites da internet mesmo "Carinha hétero homofóbico que kikou sem parar". Ou "Estudo da bíblia que acaba em aula de sexologia". Não, não, ainda está fraco. Talvez precise errar um pouco mais o português e me inspirar mais no lado animal da cena. Afinal, não é por isso que você lê putaria? Por que quer resgatar o animal dentro de você? Comigo é assim, adoro o animal que há dentro de mim.
Você pode senti-lo, raramente o mostro. Sob a escuridão do quarto, deitados numa cama, posso arranhar seu corpo todo e depositar chupões que almejem arrancar sua pele. Desses que não há lua ou sol o suficiente para clarear pensamentos. Tem coisa mais bonita que um homem gemendo, arranhando o corpo do outro e bombando sem parar enquanto o suor une os dois cheiros de machos? Não, não tem.
Até tem. Um Castro Alves... Um Guimarães Rosa... Mas não irei me propor a poetizar, por que sou péssimo nisso. Estou me propondo a contar casos que deveriam ter ficado no sexo sigiloso, mas como sou descarado e você é safado, desdobraremos um mundo perverso e excitante que permeia a mente dos homens. Vamos às minhas desventuras!
[peço desculpas de antemão por ficar punhetando os meus devaneios. Você irá perceber que há um quê de punhetação em qualquer literatura. E antes que recorra aos dicionários, acostume-se com neologismos].





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